Quem espera uma raflésia menor se engana só pela escala. A sápria abre uma taça vermelho-escura cravejada de manchas creme, sentada no serapilheira como se tivesse sido pousada ali. O resto da planta permanece dentro das raízes da videira hospedeira, invisível entre musgo e folhiço.
As flores são unissexuadas e o encontro entre pés masculinos e femininos depende de insetos atraídos pelo odor forte. Em trilhas do nordeste da Índia, do norte da Tailândia e de Mianmar, o avistamento ainda é notícia de temporada: a janela é curta e o ponto exato muda de ano para ano.
Coletores e a fragmentação da mata nublada são a combinação que mais aperta a espécie. Sem o Tetrastigma e sem a umidade constante da encosta, não há sápria. Jardim algum reproduz esse contrato com a floresta de forma estável.
Características
Holoparasita de Rafflesiaceae. Flor unissexuada, 12 a 20 cm, lóbulos vermelhos com máculas claras e superfície verrucosa. Sem órgãos vegetativos externos.
Habitat e origem
Floresta montana sombria, parasitando raízes de Tetrastigma País de referência: Índia.
Floração
Sazonal nas chuvas da monção; cada flor dura poucos dias e nasce ao nível do solo.
Cultivo
Não há protocolo comercial. Qualquer tentativa exige o hospedeiro vivo em condições de floresta montana, o que praticamente restringe a planta ao habitat.
Conservação
Populações pontuais somem quando a mata de encosta vira lavoura ou estrada. A dependência absoluta do hospedeiro torna cada clareira aberta um risco desproporcional.
Curiosidades
- É uma das poucas Rafflesiaceae que chega às montanhas do Himalaia, longe do Equador insular.
- Botões emergentes parecem cogumelos escuros antes de revelar a cor da flor.
- O odor pesado serve a moscas, não a polinizadores de néctar doce.