De longe, o dragoeiro de Socotra parece um cogumelo de pedra plantado no planalto. A copa fecha em umbela densa, um desenho que captura neblina e joga sombra num chão que quase não tem solo. Os ramos se dividem em tesoura, sempre no mesmo ângulo, até formar o teto que virou cartão-postal da ilha.
A seiva oxida em vermelho-escuro e foi comércio antigo: verniz, corante, remédio de caravana. Cortar demais o tronco para extração deixa cicatrizes que a árvore lenta não fecha. Mudas novas mal acompanham o ritmo das adultas que tombam, e o gado da ilha come o que tenta nascer.
Socotra é um mundo à parte no mar da Arábia, e essa árvore não existe como floresta contínua em nenhum outro lugar. Secas mais longas e o pastoreio solto são o que a Lista Vermelha já pesou ao colocá-la como Vulnerável. Replantar ajuda; devolver o clima da neblina, ninguém consegue.
Características
Árvore de copa umbelada, tronco grosso e ramificação dicotômica. Folhas rígidas em tufos terminais e resina vermelha no ferimento do lenho.
Habitat e origem
Platôs pedregosos e encostas ventosas de Socotra, entre neblina e seca prolongada País de referência: Iêmen.
Floração
Inflorescências creme-esverdeadas no calor; frutos globosos que amadurecem escuros e alimentam aves da ilha.
Cultivo
Lento e exigente em drenagem, calor e ar seco. Tolera vaso fundo na juventude, mas a forma de umbela só aparece com décadas e vento. Evitar rega de inverno úmido.
Conservação
Vulnerável. Regeneração fraca, extração de resina e pastoreio em Socotra reduzem o número de jovens que chegam a árvore. A ilha inteira é patrimônio frágil.
Curiosidades
- A resina vermelha entrou em rotas do oceano Índico como sangue-de-dragão muito antes da fotografia da árvore.
- A copa em guarda-chuva é adaptação à neblina: condensa água e protege o colo do sol vertical.
- Não deve ser confundida com o dragoeiro das Canárias, espécie irmã de outro arquipélago.