Na caatinga africana do Karoo, o que parece um fruto rachado no meio do cascalho é a boca da hidnora. Quase toda a planta vive sob a terra, agarrada às raízes de eufórbias. Quando decide florir, empurra três lóbulos carnosos para o ar e espera.
O cheiro evoca fezes frescas, e isso é o convite certo para besouros coprófagos. Eles entram, ficam presos por cerdas internas e só saem depois de cumprir o papel de polinizadores. Mais tarde, o fruto subterrâneo alimenta porcos-do-mato, chacais e, em alguns distritos, gente que ainda o reconhece como comida de temporada.
Ao contrário das parasitas asiáticas de floresta, a hidnora aguenta seca e sol branco. Mesmo assim, some do mapa quando as eufórbias hospedeiras são arrancadas para carvão ou pastagem. Sem o arbusto gordo ao lado, o solo volta a ser só pedra.
Características
Holoparasita acaule. Flor trímera carnosa no nível do solo, odor fecal, frutos subterrâneos com polpa adocicada. Corpo vegetativo reduzido a haustórios nas raízes do hospedeiro.
Habitat e origem
Solo arenoso ao pé de eufórbias, com a flor rompendo a superfície País de referência: África do Sul.
Floração
Após chuvas irregulares; a flor permanece alguns dias semiaberta, prendendo os besouros no interior.
Cultivo
Experimental e raro. Exige eufórbia hospedeira, solo muito drenado e calor. Não há muda independente à venda.
Conservação
A área de ocorrência é ampla no sul da África, o que segura a espécie na categoria Pouco Preocupante. Populações locais, porém, desaparecem onde o arbusto hospedeiro é removido.
Curiosidades
- O fruto maduro era chamado de comida-de-chacal em várias línguas da região.
- As cerdas internas da flor funcionam como uma armadilha temporária para o inseto.
- Quase ninguém reconhece a planta fora da época de flor, porque ela não tem folha.