O que o público chama de flor do aro-titã é, na verdade, uma inflorescência: uma espata vinho-esverdeada envolvendo um espádice que pode ultrapassar três metros. Debaixo da terra, o tubérculo chega a dezenas de quilos e gasta anos acumulando amido para um único espetáculo.
Na noite da abertura, o eixo central sobe de temperatura e libera um odor de carne podre que viaja pela mata. Besouros e moscas entram, escorregam e saem cobertos de pólen. Depois da floração, a planta pode emitir uma folha única, do tamanho de uma pequena árvore, e voltar ao silêncio por vários anos.
Em estufa o titã virou celebridade: jardins anunciam a abertura como evento noturno. No habitat, o recuo da mata de Sumatra é o que realmente decide o futuro. Cada tubérculo silvestre que some leva embora uma década de espera que ninguém vê.
Características
Arácea dioica na prática do evento floral. Tubérculo subterrâneo enorme, folha solitária composta e inflorescência termogênica com odor de carniça.
Habitat e origem
Clareiras e sub-bosque de mata úmida de baixa altitude em Sumatra País de referência: Indonésia.
Floração
Evento raro, em geral a cada vários anos; a abertura plena dura um a dois dias, quase sempre à noite e de madrugada.
Cultivo
Possível em estufa quente e úmida, com tubérculo profundo, substrato drenado e paciência de anos entre uma floração e outra. Não é planta de vaso doméstico comum.
Conservação
Classificada como Em Perigo na Lista Vermelha. A perda da floresta de Sumatra e a coleta de tubérculos para comércio irregular reduzem as populações silvestres.
Curiosidades
- A inflorescência pode aquecer até cerca da temperatura do corpo humano para volatilizar o odor.
- Um único tubérculo cultivado já ultrapassou 100 kg em jardins botânicos.
- Depois de florir, a planta muitas vezes emite só uma folha gigante e desaparece de novo sob o solo.