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Árvores · América do Sul

Pau-brasil

Paubrasilia echinata

A árvore que deu nome ao país, de cerne vermelho histórico, hoje ameaçada e espalhada em poucos remanescentes de mata.

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Pau-brasil (Paubrasilia echinata)

O pau-brasil não é uma árvore de interior denso: é uma espécie de mata mais aberta, de tronco fissurado e acúleos quando jovem, copa irregular e flores amarelas em cacho. O que o mundo quis dela não foi a flor, foi o cerne — um vermelho que tingiu tecidos na Europa e, séculos depois, virou o ouro dos arcos de violino. Essa demanda cortou a espécie na origem da ocupação do litoral.

O gênero monotípico Paubrasilia reúne a planta que já foi Caesalpinia echinata. A troca de nome científico não apagou o nome comum, nem a dívida ecológica. Restam núcleos em reservas e em fazendas de mata, além de plantios de restauração que ainda não devolvem a estrutura genética das populações originais do Norte e do Sudeste, distintas entre si.

Cortar um adulto silvestre é crime, e o comércio internacional de madeira é controlado. Mudas legais existem e deveriam estar em todo projeto de mata atlântica de tabuleiro, não só em praça cívica. A árvore cresce depressa no início e depois engrossa devagar; quem planta por simbolismo e esquece o manejo de cipó e de fogo entrega um pé isolado, não uma população.

Características

Árvore de 8 a 15 m em fragmento, excepcionalmente mais. Folha bipinada. Ramos jovens com acúleos. Flor amarela. Vagem achatada. Cerne vermelho-alaranjado.

Habitat e origem

Floresta estacional e ombrófila de baixa altitude, em solo bem drenado, hoje reduzida a fragmentos País de referência: Brasil.

Floração

Cachos amarelos no calor, vistosos à distância. Frutificação em vagens que se abrem e lançam sementes.

Cultivo

Sol pleno a meia-sombra de borda, solo drenado, irrigação na implantação. Uso em restauração e em arborização com mudas de origem conhecida. Proibida a extração de indivíduos silvestres.

Conservação

A exploração colonial e a perda da mata atlântica de tabuleiro reduziram a espécie a fragmentos. Listada como ameaçada e protegida; o comércio de madeira silvestre é ilegal. Plantios cívicos não substituem as populações nativas distintas.

Curiosidades

  • O corante historicamente extraído do cerne, o brazilin, oxida para o vermelho que batizou a terra aos olhos europeus.
  • Arqueiros de violino ainda consideram o pau-brasil o padrão de qualidade — uma pressão que hoje só pode ser atendida por madeira de plantio legal.
  • Populações do Nordeste e do Sudeste não são intercambiáveis: misturar procedências em “restauração” apaga linhagens locais.