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Árvores · América do Sul

Pinheiro-do-paraná

Araucaria angustifolia

A araucária da serra sulina, criticamente reduzida pela madeira e pelo recuo da floresta com pinhão.

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Pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia)

Quem atravessa a serra gaúcha ou o planalto catarinense reconhece a araucária à distância: fuste reto, copa em umbela, ramos em candelabro. A folha é um acícula rígida, o sexo vem em pés separados, e o pinhão — semente, não fruto no sentido culinário comum — alimenta fauna e gente no outono. A floresta com araucária é um tipo de mata, não um plantio de pinus.

O século XX cortou a espécie como se o estoque fosse infinito. A madeira, clara e reta, saiu em prancha; a floresta virou lavoura e pastagem. Restam menos de cinco por cento da área original em muitos recortes, e a classificação crítica descreve exatamente isso: uma árvore ainda visível na paisagem, mas sem a floresta que a reproduz. Sem sub-bosque, sem preás e sem gralhas, o pinhão cai e não vira mata.

Plantar araucária em sítio de serra é possível e necessário, com semente de procedência regional e paciência de gerações. A árvore jovem sofre geada extrema e concorrência de pinus. A extração de pinhão em excesso, em anos de safra curta, tira o reforço das populações remanescentes. Conservar o pinheiro-do-paraná é conservar o chão inteiro da ombrófila mista, não um pé isolado no pasto.

Características

Gimnosperma de 20 a 40 m, copa em umbela no adulto. Folhas aciculares rígidas. Pés dioicos. Pinhas femininas grandes; semente (pinhão) comestível.

Habitat e origem

Floresta ombrófila mista, acima de 500 m, em inverno definido e solo profundo País de referência: Brasil.

Floração

Estróbilos no ciclo da serra; a “flor” visível é o conjunto reprodutivo. Pinhas maduras no outono, com variação forte entre anos de carga.

Cultivo

Clima de serra, solo profundo, sol após a fase jovem. Semente fresca, de origem local. Imprópria para litoral quente. O pinhão de restauração não deve ser o mesmo saco da feira inteira.

Conservação

A floresta com araucária perdeu a maior parte da área no século XX. A espécie está criticamente em perigo; indivíduos isolados em pasto não formam população viável. Corte de adultos nativos é ilícito.

Curiosidades

  • A gralha-azul enterra pinhões e esquece parte deles — o plantio clássico da espécie, anterior a qualquer viveiro.
  • Anos de mast, com pinha demais, intercalam anos vazios; a fauna e a coleta humana sentem o pulso juntos.
  • Araucária não é pinus: o plantio comercial de Pinus elliottii ocupou justamente as terras de onde angustifolia foi retirada.