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Credzard

Árvores · América do Sul

Jacarandá-da-bahia

Dalbergia nigra

A madeira preta mais cobiçada da mata atlântica, listada no Apêndice I da CITES e reduzida a indivíduos isolados em grande parte da área original.

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Jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra)

Dalbergia nigra é uma árvore de copa aberta, folha composta e tronco que, no adulto, esconde um cerne escuro de veios finos. Não se confunde com o jacarandá-mimoso de rua, Jacaranda mimosifolia, de outro gênero e de flor roxa. O jacarandá-da-bahia floresce em cacho claro e, durante séculos, valeu pelo que estava debaixo da casca: uma das madeiras mais estáveis e mais sonoras do mundo.

A extração para móveis, instrumentos e exportação esvaziou as matas do Recôncavo e do leste mineiro. O que restou são árvores isoladas, muitas ocas, muitas em propriedade privada. A CITES colocou a espécie no Apêndice I — o patamar que praticamente fecha o comércio internacional de madeira silvestre. Isso não fez os tocos voltarem a ser floresta.

Plantar Dalbergia nigra é um gesto de décadas. A muda cresce bem em solo profundo, mas o cerne escuro só aparece com a idade, e a pressão de furto sobre indivíduos jovens já ocorre em alguns plantios. Restauração séria usa semente de procedência local e aceita que o retorno, se houver, não será o do mercado de viola — será o de uma árvore de mata, no lugar de onde o mercado a tirou.

Características

Árvore de 15 a 25 m em mata contínua. Folha pinada. Flores claras em cacho. Vagem indeiscente. Cerne escuro, oleoso, de desenho fino.

Habitat e origem

Floresta de encosta e tabuleiro, em solo profundo, hoje confinada a fragmentos e a algumas reservas País de referência: Brasil.

Floração

Cachos no calor, perfume discreto. Frutos achatados que amadurecem meses depois.

Cultivo

Muda de semente, sol de borda, solo profundo. Crescimento inicial moderado. Qualquer corte de indivíduo silvestre é ilícito. Instrumentos atuais devem usar madeira de origem documentada ou substitutos.

Conservação

A área de ocupação recuou com a mata atlântica e com a extração seletiva. O Apêndice I da CITES trava o comércio internacional de madeira silvestre; no campo, o efetivo segue fragmentado e envelhecido.

Curiosidades

  • O nome popular jacarandá cobre dezenas de madeiras; nigra é a “da-bahia”, a de cerne quase negro, não o ipê nem o mimoso de calçada.
  • Instrumentos antigos de jacarandá-da-bahia hoje circulam com certificado de antiguidade — a única via legal para muita peça de concerto.
  • A árvore é uma leguminosa: em mata bem estruturada, participa da química do solo como outras Fabaceae, um papel que a extração seletiva ignora.