Quem ainda diz Laelia jongheana não está errado de todo: o nome antigo cola na memória dos orquidários mineiros. A planta é uma roseta baixa de folhas rígidas grudada na laje, e a flor rosa-lilás abre com um labelo claro de garganta amarela que parece grande demais para o tapete de pedra.
O campo rupestre não perdoa vaso de musgo. A raiz vive no filme de húmus da fenda, seca ao meio-dia e molha de novo na neblina. Essa combinação — sol, pedra, amplitude térmica — some quando a serra vira mineração ou estrada de turismo sem cuidado.
A transferência para Cattleya não mudou o cultivo: placa, muita luz, água de chuva e inverno mais seco. Clones selecionados circulam. O que não circula é a laje original. Cada população de cume é um estoque que a semente de laboratório não recoloca no quartzito.
Características
Cattleya rupícola (sinônimo amplo de Laelia jongheana). Folhas coriáceas, inflorescência curta e flores rosa a lilás com labelo claro e mancha amarela na garganta.
Habitat e origem
Laje e fenda de quartzito em campo rupestre, com sol, vento e neblina de altitude País de referência: Brasil.
Floração
Fim do inverno e início da primavera em Minas; uma a três flores por haste, de boa duração.
Cultivo
Placa de cortiça ou vaso raso com pedrisco, sol da manhã, rega no crescimento e descanso mais seco no inverno. Evitar adubo forte e sombra de apartamento.
Conservação
Em Perigo. Endêmica de afloramentos mineiros sob pressão de coleta, mineração e ocupação de cume. A área ocupada é um arquipélago de lajes.
Curiosidades
- O comércio antigo usava o nome Laelia; a genética a devolveu ao grupo das cattleyas rupícolas.
- A flor parece uma laelia clássica, mas o número cromossômico a aproxima de Cattleya.
- Populações de cores mais pálidas são particularmente visadas por coletores.