A Constantia cipoensis é fácil de passar sem ver. Uma esteira de folhas curtas, quase suculentas, colada no caule fibroso da Vellozia — a canela-de-ema do campo rupestre. A flor branca ou creme, de labelo amarelo, dura pouco e parece desproporcional à planta, como se alguém tivesse pregado uma joia num toco.
O endereço é a Serra do Cipó e imediatamente ao redor. Fora dessa ilha de altitude, a espécie não monta população. Quem arranca a Vellozia para artesanato ou fogo leva a orquídea junto, sem perceber. O turismo de trilha, se sai da pedra, compacta o único chão que ela aceita.
Cultivo é exercício de especialista: placa, vento, sol filtrado de altitude e o microclima da canela-de-ema. Frascos de laboratório existem em poucos orquidários. Comprar planta “do Cipó” sem nota é ajudar a esvaziar um endemismo que já cabe num mapa de parque.
Características
Orquídea miniatura rupícola-epífita sobre Vellozia. Folhas dísticas curtas, crescimento em esteira e flores brancas a creme de labelo amarelado.
Habitat e origem
Caule e folhas mortas de Vellozia no campo rupestre da Serra do Cipó País de referência: Brasil.
Floração
Janela curta na estação mais úmida da serra; flores solitárias ou em número baixo, de curta duração.
Cultivo
Placa ventilada, muita luz sem queima extrema, água de chuva e jamais vaso fundo. Melhor resultado quando há Vellozia ou substrato igualmente fibroso e seco na superfície.
Conservação
Em Perigo. Endêmica da Serra do Cipó, dependente de Vellozia. Coleta, fogo e o recuo do campo rupestre reduzem um mapa que já era minúsculo.
Curiosidades
- O epíteto cipoensis aponta o único maciço em que a planta faz sentido biológico.
- Sem a canela-de-ema, a esteira raramente estabelece população estável.
- É uma das Constantia mais cobiçadas, o que piora o risco apesar do tamanho irrisório.