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Orquídeas · América do Sul

Cattleya-labiata

Cattleya labiata

A cattleya que inaugurou a febre europeia do gênero: flor de outono com labelo amplo e magenta.

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Cattleya-labiata (Cattleya labiata)

Em 1818, uma planta chegou a William Cattley na Inglaterra escondida como embalagem de outras mudas. Quando floriu, o labelo largo e o tom lilás-magenta fundaram um gênero e uma obsessão. No Nordeste, a labiata ainda abre no outono, no alto de árvores da Mata Atlântica que restou em serra e encosta.

A flor é grande, de pétalas onduladas e labelo pregueado com garganta dourada. Há formas pálidas e escuras, todas perfumadas. O que mudou em dois séculos foi o endereço: a mata contínua virou fragmento, e a planta silvestre ficou presa a serras que o canavial e a cidade não cobriram.

O cultivo clássico — luz alta, casca, vento e seca entre regas — é o mesmo da walkeriana, num corpo um pouco maior. Clones de laboratório enchem estufas no Brasil inteiro. A raridade que importa para o ranking é a população nativa na serra nordestina, não a haste de exposição.

Características

Cattleya unifoliada de porte médio. Pseudobulbos clavados, folha coriácea e flores grandes de outono, labelo conspícuo com lóbulo frontal amplo e mancha magenta.

Habitat e origem

Dossel e forquilhas de mata úmida em encostas de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e vizinhanças País de referência: Brasil.

Floração

Outono no Nordeste, em geral de março a maio; duas a cinco flores por haste, muito perfumadas.

Cultivo

Luz forte filtrada, vaso intermediário, substrato grosso e boa ventilação. Reduzir água após o amadurecimento do bulbo para estimular a haste de outono.

Conservação

Vulnerável no habitat. A fragmentação da Mata Atlântica nordestina e a coleta antiga esvaziaram muitas serras. O estoque de cultivo é amplo; o estoque silvestre, não.

Curiosidades

  • O gênero Cattleya nasceu desta espécie, batizada em honra de William Cattley.
  • Durante décadas a identidade da labiata se confundiu com outras cattleyas do leste brasileiro.
  • É a flor de outono por excelência dos orquidários do Nordeste.