A walkeriana é a cattleya que o interior brasileiro reconhece de relance: planta baixa, pseudobulbo roliço, uma ou duas flores que parecem grandes demais para o corpo. O perfume doce toma o alpendre. Ela nasce em laje, em casca seca e até em cupinzeiro abandonado, sempre com a raiz ao vento e o sol da manhã no dorso da folha.
Minas Gerais, Goiás, o Distrito Federal e fatias de São Paulo e Mato Grosso do Sul concentram as formas clássicas — rosa, alba, semialba. O comércio de clones selecionados é antigo e, quando documentado, tira pressão do campo. O que ainda fere a espécie é o arranquio em laje de serra para feira de beira de estrada.
No vaso ela pede o contrário do musgo encharcado: casca grossa, luz alta, seca entre uma rega e outra. Quem trata walkeriana como orquídea de banheiro úmido perde a raiz em uma temporada. A raridade hoje é a planta silvestre na pedra, não o clone de estufa.
Características
Cattleya unifoliada compacta. Pseudobulbos ovóides, inflorescência curta no ápice ou na bainha e flores largas, muito perfumadas, em rosa, branco ou semialba.
Habitat e origem
Pedra, cupinzeiro e galho seco em cerrado e floresta estacional, com sol filtrado e vento País de referência: Brasil.
Floração
Outono e inverno no Brasil central, com algumas formas tardias; uma a três flores por haste, de longa duração.
Cultivo
Luz alta, vaso pequeno, casca ou fibra grossa, rega só depois de secar. Adubo fraco no crescimento. Proteção contra geada forte e contra chuva fria contínua.
Conservação
Vulnerável no campo. A coleta em afloramentos e a conversão do cerrado em lavoura somem com as lajes onde a espécie ainda é nativa. Clones legais não substituem essas populações.
Curiosidades
- Há formas que emitem a haste de uma bainha lateral, detalhe que orquidófilos usam para separar linhagens.
- O perfume é um dos mais intensos do gênero, perceptível a metros no fim da tarde.
- George Gardner mandou material a Walker no século XIX — daí o epíteto.