No cascalho do Namibe, a welwítschia parece um polvo de fita jogado no chão. São só duas folhas, as mesmas desde a plântula, que nunca param de crescer pela base e se esfarrapam na ponta. O caule curto e largo segura essa coroa contra um vento que lixa tudo.
A planta é dioica: uns pés emitem cones masculinos, outros femininos. A neblina que sobe do Atlântico molha as folhas mais do que a chuva, que pode falhar anos seguidos. Indivíduos bem datados passam de um milênio — testemunhas de um deserto que mal mudou de cor.
Coleta de cones e o pisoteio de veículos 4x4 ferem populações acessíveis. Em cultivo, a espécie pede sol, calor e drenagem absoluta; o excesso de água mata mais rápido do que a seca. Mesmo assim, nenhum vaso reproduz o tempo geológico do Namibe.
Características
Gimnosperma dioica com duas folhas persistentes de crescimento basal contínuo. Caule lenhoso achatado, raízes profundas e cones em vez de flores verdadeiras.
Habitat e origem
Cascalho e areia costeira do Namibe, com neblina atlântica e chuva rara País de referência: Namíbia.
Floração
Cones aparecem após anos de estabelecimento, em geral no período mais úmido da neblina costeira; não há flor no sentido de angiosperma.
Cultivo
Viável em estufa árida ou vaso fundo com areia e pedrisco. Sol pleno, rega escassa e zero lama no colo. Crescimento lento; planta de colecionador paciente.
Conservação
A área nativa ainda sustenta milhares de indivíduos, daí a classificação Pouco Preocupante. Mudança climática na neblina costeira e coleta ilegal de plantas jovens são os alertas que os gestores locais repetem.
Curiosidades
- As duas folhas originais nunca são trocadas: o que parece um emaranhado é o rasgo do vento sobre o mesmo par.
- Friedrich Welwitsch, ao vê-la em 1859, escreveu que preferiria o fato não ser verdade a parecer mentiroso.
- É o único gênero vivo da família Welwitschiaceae.