Tacca chantrieri organiza o escuro como poucas plantas de jardim. Do centro da roseta sobe uma haste com duas brácteas laterais, largas e escuras, e um umbelado de flores púrpura-quase-pretas. Desses centros saem filamentos que podem passar de 25 cm e se movem ao menor vento — o “bigode” que deu o nome de flor-morcego.
A cor não é luto: é um convite a moscas e a outros insetos de sub-bosque, no mesmo vocabulário visual das flores que mimetizam matéria em decomposição, embora o odor aqui seja mais discreto do que o do titã. A planta é uma dioscoreácea, parente do inhame, com rizoma carnoso e folhas nervuradas que já bastariam para um vaso de sombra se a flor não roubasse a cena.
No comércio ela aparece e desaparece conforme a moda gótica de interiores. Muitas mudas vêm de tecido e sofrem em apartamento seco. No campo, o recuo de floresta na Indochina reduz núcleos, mas a área total ainda é ampla. O cultivo honesto pede o que o sub-bosque oferece — calor, sombra, umidade e um inverno sem geada — e aceita que a haste floral seja um evento, não um estado permanente.
Características
Roseta de folhas elípticas de 20 a 50 cm. Haste floral com brácteas escuras e filamentos pendentes. Flores púrpura-pretas em umbela. Rizoma carnoso.
Habitat e origem
Floresta úmida de baixa e média altitude, em sombra, solo rico e sempre úmido País de referência: Tailândia.
Floração
Calor úmido, com uma ou mais hastes por estação. Cada umbela dura dias; os filamentos permanecem depois das flores.
Cultivo
Sombra clara, substrato rico e drenado, umidade alta e calor. Não tolera frio nem vaso encharcado no inverno. Rizoma pode dividir-se na troca de vaso.
Conservação
Distribuição relativamente ampla no Sudeste Asiático. A perda de sub-bosque é o risco regional; em cultivo a planta é reproduzida em escala e não depende de extração silvestre.
Curiosidades
- Os filamentos não são estames: são bractéolas estéreis que aumentam o contorno escuro visto por insetos de voo baixo.
- Há Tacca de flor verde e de flor pálida; chantrieri é a que levou o preto ao extremo comercial.
- O rizoma já foi usado em preparos tradicionais na Indochina, o que não autoriza extração nem automedicação.