No chão do bosque de Honshu, a París-do-japão parece uma estrela de papel pousada sobre um verticilo de folhas. A flor é branca, simétrica, quase geométrica, e o crescimento é tão lento que um tapete leva anos para fechar. Nada na cena denuncia o recorde que ela guarda no núcleo da célula.
O genoma passa de 140 bilhões de pares de base — dezenas de vezes o humano. Essa biblioteca enorme torna a divisão celular preguiçosa e ajuda a explicar por que a planta não invade nada e não perdoa transplante tosco. É uma raridade de laboratório e de montanha ao mesmo tempo.
Colecionadores de bosque temperado a cultivam em sombra fria, com húmus e paciência. No Japão, a pressão é a de sempre sobre herbáceas de altitude: trilha, coleta e o aquecimento que empurra o sub-bosque para cima. Não é a mais ameaçada desta lista, mas é uma das mais estranhas.
Características
Herbácea rizomatosa de folhas verticiladas e flor actinomorfa branca com tépalas estreitas. Genoma excepcional em tamanho; crescimento extremamente lento.
Habitat e origem
Sub-bosque fresco e úmido de montanha, em solo rico em húmus País de referência: Japão.
Floração
Verão fresco da montanha japonesa; uma flor por haste, duradoura, no centro do verticilo foliar.
Cultivo
Sombra, solo ácido de bosque, umidade constante e verões sem calor extremo. Divisão de rizoma é lenta. Inadequada para vaso em clima tropical de planície.
Conservação
Distribuição restrita às montanhas de Honshu. Ainda não figura como criticamente ameaçada, mas populações locais somem com coleta e alteração do sub-bosque.
Curiosidades
- O genoma é o maior já medido entre organismos com núcleo, à frente de peixes e salamandras recordistas.
- A flor parece uma estrela de oito a dez pontas, conforme o número de tépalas da temporada.
- O rizoma avança poucos centímetros por ano: tapetes densos são relíquias, não mudas novas.