Passiflora parritae abre uma flor que o gênero quase não permite: pétalas largo-coral a laranja-vivo, sem o roxo clássico, com a corona em fios claros. A trepadeira é vigorosa no clima certo e, ainda assim, falhou em manter-se nas encostas de onde veio. Desmatamento, pastoreio e a faixa estreita de altitude reduziram o mapa a fragmentos que botânicos passaram anos sem reencontrar.
A planta ganhou um segundo capítulo em jardins botânicos e em coleções de passifloristas. Cruzamentos e clones mantêm o gene, mas o número de linhagens independentes é pequeno. Reintroduzir em encosta colombiana esbarra no mesmo pasto que a expulsou. Sem floresta nublada, a flor laranja vira uma relíquia de estufa.
Cultivá-la exige o clima da cordilheira: noites frias, dias amenos, umidade e um tutor alto. Em litoral quente a planta vegeta e não floresce, ou floresce pouco e aborta o botão. Quem oferece semente “de parritae” no varejo muitas vezes entrega híbridos de cor semelhante. A espécie pura ainda é um acontecimento, não um item de prateleira.
Características
Trepadeira de folhas trilobadas. Flor de 8 a 12 cm, pétalas laranja-coral, corona clara. Fruto oblongo, raro em cultivo. Gavinhas axilares.
Habitat e origem
Mata nublada entre 1.800 e 2.400 m, em clareiras e bordas, com solo úmido e noites frias País de referência: Colômbia.
Floração
Estação úmida amena, com flores de um dia. Em estufa boa pode repetir levas; em calor noturno o botão cai.
Cultivo
Clima ameno de altitude, treliça, solo rico e drenado, umidade alta. Inadequada para planície quente. Material deve ter procedência de coleção documentada.
Conservação
Endêmica de uma faixa curta da Colômbia, com populações silvestres mínimas ou possivelmente extintas em vários sítios históricos. A sobrevivência atual depende de cultivo ex situ e de eventual restauração de encosta.
Curiosidades
- A cor laranja é excepcional em Passiflora de grande flor; a maior parte das “laranjas” de viveiro são híbridos posteriores.
- Expedições dos anos 2000 reencontraram indivíduos depois de um hiato longo o bastante para a espécie ser dada como perdida.
- O epíteto homenageia o coletor Parrita, e não uma região do Brasil — a planta é andina.