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Credzard

Palmeiras · África

Coco-do-mar

Lodoicea maldivica

Palmeira das Seicheles que produz a maior semente do mundo, um endocarpo bilobado que já foi moeda e mito náutico.

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Coco-do-mar (Lodoicea maldivica)

Lodoicea maldivica ergue um fuste liso e uma copa de folhas em leque que podem passar de seis metros. Nada disso prepara o visitante para o que cai no chão: um endocarpo de dois lóbulos, de dezenas de centímetros e de vários quilos, a maior semente que se conhece. O nome maldivica é um erro antigo — as nozes flutuavam e apareciam nas praias das Maldivas, sem palmeira à vista, e a imaginação náutica fez o resto.

A espécie é dioica e lenta. Uma planta pode levar décadas para florescer; o fruto amadurece anos na palmeira. Essa aritmética, num mapa de duas ilhas, explica a vulnerabilidade. Coleta de nozes, desmate histórico e o turismo desordenado reduziram o regenero. Hoje os vales de Vallée de Mai e de Curieuse são o cofre da espécie, com controle de semente e de visitação.

Fora das Seicheles a palmeira quase não existe: o transplante de adulto é inviável, a semente é pesada, cara e regulamentada, e o clima de muitas coleções não repete o vale insular. Jardins botânicos que exibem um pé jovem estão mostrando um compromisso de meio século, não um vaso de varanda. O coco-do-mar é uma árvore de Estado, no sentido mais literal — o país inteiro cabe, em matéria de Lodoicea, em dois pedaços de granito.

Características

Fuste solitário de 15 a 30 m. Folhas costapalmadas enormes. Dioica. Inflorescência longa. Fruto com a maior semente conhecida, bilobada, de 10 a 25 kg.

Habitat e origem

Vales úmidos de floresta insular, em solo de granito decomposto, sob chuva tropical País de referência: Seicheles.

Floração

Indivíduos maduros emitem inflorescências longas; o fruto pode levar 6 a 7 anos para amadurecer na palmeira.

Cultivo

Quase restrito a jardins tropicais úmidos de grande porte. Semente regulamentada, germinação lenta e espaço de décadas. Imprópria para cultivo doméstico.

Conservação

Endêmica de duas ilhas, com regeneração lenta e histórico de coleta da noz. Áreas protegidas sustentam o núcleo; fora delas a palmeira é residual. O comércio da semente é controlado pelo Estado das Seicheles.

Curiosidades

  • Marinheiros medievais achavam que a noz crescia num arbusto no fundo do mar — daí o nome coco-do-mar.
  • A semente pode pesar mais de 20 kg; o cotilédone que a liga à muda chega a metros de comprimento no solo.
  • O epíteto maldivica consagra um equívoco geográfico: a palmeira nunca foi nativa das Maldivas.