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Credzard

Bromélias · América do Sul

Díquia-de-Marnier

Dyckia marnier-lapostollei

Bromélia terrestre de folha prateada e espinhos marginais, endêmica de lajes goianas e rara tanto no campo quanto no cultivo fiel.

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Díquia-de-Marnier (Dyckia marnier-lapostollei)

Dyckia marnier-lapostollei forma uma roseta baixa, aberta, de folhas rígidas cobertas de escamas prateadas e armadas de espinhos na margem. Não há tanque central como nas irmãs epífitas: a água entra pelo solo raso da laje e pelas escamas. No quartzito goiano, a planta some no brilho do minério até o olhar pegar o desenho em estrela.

A espécie é pontual. Poucas lajes conhecidas, extração para coleção de suculentas — o mercado a trata como se fosse um cacto — e o avanço de fogo e de mineração explicam a rareza. Formas de folha mais larga ou mais prata foram selecionadas e, em alguns casos, hibridizadas. A planta “pura” de localidade, com o hábito rente à pedra, é o que o campo está perdendo.

Cultivar uma díquia dessa linhagem pede sol, vaso baixo, mistura mineral ácida e rega de verão com seca no pico frio. Excesso de orgânico produz folha verde e mole, o oposto do metal nativo. Semente de origem conhecida é o caminho. Qualquer roseta adulta arrancada de laje goiana chega com a raiz partida e com o estoque de uma população que não tinha excedente.

Características

Roseta de 20 a 40 cm, folhas rígidas prateadas, espinhos marginais. Sem tanque profundo. Haste floral simples, flores alaranjadas a amarelas. Brotação basal lenta.

Habitat e origem

Lajes de sol pleno, solo raso e ácido, com variação térmica diária ampla País de referência: Brasil.

Floração

Haste no calor, com flores tubulares de cores quentes, visitadas por beija-flores. A roseta não é monocárpica obrigatória como Alcantarea.

Cultivo

Sol pleno, substrato mineral ácido, vaso baixo e largo, rega no crescimento. Evitar calcário e sombra. Material de semente ou de rebento de viveiro.

Conservação

Endêmica de afloramentos de Goiás, com área de ocupação pequena. Coleta, fogo e mineração de quartzito justificam o status ameaçado. Híbridos de viveiro não substituem as populações de laje.

Curiosidades

  • O epíteto homenageia a família Marnier-Lapostolle, ligada a coleções europeias de suculentas — de novo um nome de colecionador numa planta do cerrado.
  • Dyckia é um gênero quase todo do cone sul e do Brasil central; as espécies de laje são especialistas, não generalistas de jardim.
  • A prata da folha aumenta com o sol: um exemplar mantido à meia-sombra “desmente” a espécie em poucas semanas.