Discocactus horstii é um disco de poucos centímetros, de costelas tuberculares e espinhos curvos, que só se completa quando emite o cefálio — um gorro de lã branca no ápice, de onde saem flores noturnas e frutos. No quartzito de Grão Mogol, o disco some no cascalho até a lã aparecer como um ponto claro.
A área de ocupação é minúscula. Coleta para o mercado europeu, nos anos seguintes à descrição, tirou adultos em flor. Incêndios e o avanço de trilhas somaram dano. A espécie entrou no patamar crítico e o comércio responsável abandonou o adulto silvestre. O que se vê hoje em exposições é, quase sempre, um enxerto sobre um porta-enxerto vigoroso, com cefálio precoce e corpo inchado.
Na raiz própria o cultivo é difícil: substrato muito arenoso, sol, calor e uma seca de inverno que o cultivador úmido hesita em dar. Floresce à noite, com perfume, e a flor dura horas. Quem quer a planta no retrato mineiro aceita o disco pequeno e a espera; quem quer um cefálio rápido compra um enxerto e assume o atalho.
Características
Corpo deprimido de 4 a 8 cm, costelas tuberculares, espinhos curtos. Cefálio lanoso branco no adulto. Flor noturna branca, alongada.
Habitat e origem
Lajes arenosas de campo rupestre, pleno sol, com cefálio apical quando adulto País de referência: Brasil.
Floração
Verão, flores noturnas de tubo longo no cefálio. Perfume intenso. Fruto rosa a vermelho, de polpa que atrai formigas.
Cultivo
Na raiz própria: areia, quartzito, sol e seca invernal. Enxertia é a forma comercial dominante. Material silvestre é ilegal e a localidade não comporta visita colecionista.
Conservação
Endêmica de uma área extremamente pequena no norte de Minas. Extração histórica e degradação de lajes justificam o status crítico. Qualquer comércio de adultos de campo é ilícito.
Curiosidades
- O cefálio é um órgão especializado de floração, comum em Melocactus e Discocactus, e marca a passagem para a vida adulta.
- Leopoldo Horst, homenageado no epíteto, percorreu o norte mineiro em expedições que revelaram dezenas de cactos hoje ameaçados.
- A flor abre depois do anoitecer e muitas vezes já murcha no meio da manhã seguinte.